Cultura Afro-brasileira e Indígena é tema de debate em São Pedro

A Secretaria Municipal de Educação de São Pedro da Aldeia ofereceu o primeiro curso na Região Costa do Sol que dá subsídios aos professores para implantar a Lei 11.645/08, que institucionaliza o ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Indígena nas escolas públicas e privadas que ofereçam o Ensino Fundamental e Médio. O evento foi uma iniciativa da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), do Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal Fluminense (PPGH-UFF) e do Núcleo de Pesquisas em História Cultural (NUPEHC/UFF), em parceira com a Secretaria Municipal de Educação de São Pedro da Aldeia. No ano passado, a Secretaria de Educação já havia promovido o I Encontro sobre a diversidade na Aldeia de São Pedro. O tema tem sido uma preocupação recorrente da Secretaria de Educação, que busca resgatar a história da cidade de São Pedro da Aldeia.

O curso Os índios na História do Brasil: Subsídios para a Lei 11.645/08 – História e Cultura Afro-brasileira e Indígena aconteceu em dois dias. As vagas foram todas preenchidas com professores e alunos da faculdade de História, o que comprova a urgência em debater o tema. O curso foi ministrado por profissionais que pesquisam a temática e que são referências no assunto, inclusive com obras publicadas, algumas das quais ganhadoras de prêmios. O curso contou com a coordenação dos professores Dr. Maria Regina Celestino de Almeida e Elisa Garcia, ambas da UFF.


Cada participante recebeu, juntamente com o material do evento, o livro “Os índios na História da Aldeia de São Pedro de Cabo Frio”, dos historiadores Luiz Guilherme Scaldaferri Moreira e Janderson Bax Carneiro. Durante o evento também foram divulgadas várias pesquisas sobre a temática indígena, no Estado do Rio de Janeiro. De acordo com a professora da UFF, Dra. Maria Regina, está havendo um aumento bastante expressivo da produção historiográfica a respeito do tema.


Durante sua apresentação, a Dra. Maria Regina reforçou que é preciso haver uma mudança na maneira como encaramos a atuação dos índios na história brasileira e, principalmente, na atualidade. “Os índios hoje estão entrando para as universidades e forçando os pesquisadores a repensarem a colocação dos índios na sociedade. Eles não se anularam enquanto grupo social e nem tão pouco anularam suas ações enquanto atores históricos e sociais”, defende a pesquisadora e acrescenta ainda que não podemos mais acreditar na ideia de índios tolos e passivos à tudo. Ela critica também o papel atribuído aos índios no processo de “aculturação”. Segundo ela, os estudos mais recentes mostram que não houve uma total assimilação da cultura do “dominador” a ponto de chegar a uma condição de “não-índios”. “Eles só aparecem em nossa história na Descoberta do país, depois disso eles não são mais mencionados. O mesmo ocorreu com os escravos, que foram quase coisificados em nossa história”, complementa.


Outro palestrante foi o doutorando e historiador Marcelo Lemos que abriu sua fala com um texto em Puri – dialeto indígena. Ele debateu os impactos culturais, sanitários e demográficos do encontro entre as culturas: indígenas, africanas e europeias.


De acordo com o professor da UVA, Ms. Luiz Guilherme Moreira, o curso foi fundamental para desmistificar o assunto. “Os professores ainda trabalham os índios em sala de aula sob um aspecto exótico e numa perspectiva que não os integram verdadeiramente à nossa sociedade”, afirma Luiz Guilherme, que aproveitou a oportunidade para parabenizar o pioneirismo da Secretaria Municipal de Educação aldeense que se mostra preocupada em preencher a lacuna da temática indígena, principalmente pela sua história de aldeados. “São Pedro da Aldeia pode e deve servir de exemplo para outros municípios”, afirma.


O evento foi bastante elogiado também pelos participantes, como a diretora da Escola Municipal Manoel Martins Teixeira, em São Pedro da Aldeia, professora Elizabeth Salles. “Esse debate precisa ser ainda mais ampliado para capacitar os professores, principalmente das séries iniciais. Isso para que se possam desconstruir visões preconceituosas sobre o assunto e, assim, não influenciar nossos alunos”, explica. Já a professora da E. M. Paulo Roberto Marinho, Jacqueline de Paula, disse que o debate foi bastante produtivo. “O curso foi rico do ponto de vista pedagógico e nos ofereceu um suporte maior ao confrontar visões ultrapassadas à luz de estudos acadêmicos recentes”, diz.


Thiago Bomfim, estudante do terceiro período de Histórica na UVA, afirma que no Ensino Fundamental ele não teve a abordagem correta sobre a História e Cultura Afro-brasileira e Indígena. “Eu quero ter respaldo suficiente para trabalhar de forma adequada com os meus alunos. Eu acredito que se o aluno conseguir se identificar com a história de nosso país a prática pedagógica será mais rica e prazerosa para alunos e professores”, explica o estudante que já planeja utilizar reflexões feitas durante o curso quando estiver lecionando.
Fonte e Foto: Silva Jardim.com

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