Para professor da Uerj, prefeituras não fiscalizam a ocupação dos morros e encostas
A tragédia que atingiu a região serrana do Rio de Janeiro na última quarta-feira (12) é resultado da falta de políticas públicas na área de habitação e saneamento básico, o que permite a ocupação desordenada nos morros e áreas de encostas. A avaliação é de Adacto Benedicto Ottoni, professor de engenharia ambiental e meio ambiente da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Segundo ele, o poder público ignora a existência de milhares de famílias que moram em lugares com risco de deslizamentos.
- As prefeituras não fiscalizam e permitem a ocupação irregular dos solos. Não adianta culpar a natureza pela negligência do governo.
Adacto aponta o desmatamento como a principal causa dos deslizamentos de terra na região serrana. De acordo com o professor, a população ocupa de forma irregular a parte alta dos morros, eliminando a cobertura vegetal. Ele explica que são as raízes das árvores que seguram o solo. Sem vegetação, as encostas vêm abaixo, resume o engenheiro ambiental.
- As encostas devem ser reflorestadas para que o solo absorva a água das chuvas. É o que aconteceria se essas áreas não fossem desmatadas.
Além disso, o desmatamento aumenta o risco de enchentes, já que a cobertura vegetal absorve a água das chuvas. E essa proteção natural impede que água a escorra pela superfície, levando detritos para rios e córregos.
- O assoreamento é a principal motivo do transbordamento dos rios na época das chuvas. Sem vegetação, a água escorre sem barreiras naturais, levando detritos e sujeira para os rios e valões. Resultado disso: famílias sem casa e parentes mortos.
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R7
Foto: Fábio Motta/AE

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