A segunda cidade mais atingida pelo temporal na região serrana é Nova Friburgo, onde morreram oito pessoas. Quatro eram bombeiros que tentavam socorrer vítimas de um desabamento.
O que se vê na chegada a Nova Friburgo é assustador. Na cidade, que fica entre as montanhas, muitas clareiras se abriram na mata. As encostas desabaram e ainda continuam desabando.
O rio Bengalas transbordou de forma impiedosa e alagou todo o centro. A força da correnteza é impressionante. Carros, ônibus e caminhões ficaram submersos. Nem os bombeiros conseguiram passar para socorrer às vítimas.
A praça Suspiro, ponto turístico da cidade, ficou tomada pela lama. Por trás do teleférico, a terra desceu e invadiu a igreja de Santo Antônio.
Ao lado de um hotel, piscina, quadra e toda a área de lazer desapareceram sob as águas. A avenida principal virou uma alameda de barro. De uma casa soterrada, só aparecem a porta e uma janela.
Choveu em Nova Friburgo nas últimas 24 horas o esperado para todo o mês de janeiro. Regiões inteiras estão isoladas e o lixo começa a se espalhar na água.
No bairro de Olaria, onde um prédio de três andares desabou ontem, o trabalho de busca aos desaparecidos continua. Um homem e uma criança morreram.
Em outro ponto da cidade, bombeiros atendiam a um chamado, quando uma encosta desabou. O carro de resgate ficou embaixo da terra e quatro bombeiros morreram.
Durante a manhã, moradores se juntaram às tentativas de encontrar sobreviventes. A solidariedade tenta substituir o socorro, que ainda não consegue chegar à maioria dos pontos atingidos. Muita gente retira entulho com as próprias mãos.
Na RJ-116, barreiras caíram e o trânsito foi interrompido. Uma fila de caminhões e ônibus se formou. O asfalto cedeu em alguns pontos e, por baixo da estrada, ainda minava muita água.
O repórter Guilherme Peixoto, da InterTV, afiliada da Rede Globo, contou por telefone que as equipes de reportagem também estão ilhadas. “A situação é muito complicada. Na emissora mesmo, parte da equipe passou a noite de forma improvisada, pois o prédio ficou isolado. Ninguém consegue chegar ou sair, uma dificuldade de acesso que as equipes de socorro também enfrentam. Também há problemas de comunicação com telefonia fixa e móvel e os ônibus não estão circulando. Há falta de luz em vários bairros.”
Enquanto a água desce dos barrancos e transborda do Rio, os moradores não sabem o que fazer.
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Globo.com
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