A chuva deixou ilhados os moradores de Manoel de Moraes, distrito de Santa Maria Madalena. O Rio Grande transbordou e inundou o trevo de São Sebastião do Alto, em Barra Mansa, um dos caminhos para Nova Friburgo. Motoristas que tentavam ir para Nova Friburgo passando pelo local foram obrigados a parar no meio do caminho.
Ônibus, caminhões e carros ficaram ilhados. As casas das redondezas ficaram alagadas. Desesperados, moradores salvaram poucos móveis. Eles dizem que não têm para onde ir. Uma igreja da localidade está sendo usada pelas pessoas que perderam suas casas.O comerciante Otaviano Luiz Ladeira, de 48 anos, que saiu de Rio das Ostras e seguia de carro com a família para Minas Gerais, ficou preso no Trevo de São Sebastião do Alto.
- Estou com minha filha de dois meses no carro. Não sei o que fazer. Não temos comida - disse desolado Otaviano.
O dentista Valdir Júnior, de 35 anos, que trabalha em Rio das Ostras, tentava ir de ônibus para Friburgo. Ele também ficou preso quando chegou ao Trevo Santa Maria Madalena.
- Estou há sete horas dentro do ônibus. Já tentamos passar por Casimiro de Abreu, pela Serra de Nova Friburgo e agora por Maria Madalena. Tinha vários pacientes marcados, tive que cancelar tudo - lamentou o dentista.
Entre os moradores de Manoel Moraes, o clima é de desespero. Em poucos minutos, as casas ficaram cheias. Em algumas, a água chegou ao telhado. Outras desmoronaram. Muitas pessoas só saíram com a roupa do corpo e tiveram tempo de salvar apenas os animais domésticos. A dona de casa Maria de Lourdes de Azevedo, de 72 anos, saiu de casa carregada por homens da Defesa Civil.
- Perdi tudo, estou preocupada com meus filhos que ainda estão no segundo andar da casa - emocionou-se a senhora.
De acordo com os moradores, a chuva mais forte que caiu em Manoel de Moraes foi em 2007. Na época, porém, a água chegou apenas no quintal das residências.Os moradores calculam que as casas da localidade só foram atingidas dessa maneira há cerca de 32 anos. Desolada, Clélia Vicente da Conceição, de 53 anos, perdeu a casa e seu restaurante.
- Só tive tempo de sair com a roupa do corpo. Perdi tudo o que tenho - contou Clélia.
Em Manoel de Moraes, os moradores estão sem comunicação. Os telefones celulares e orelhões não funcionam. Os únicos dois armazéns do local foram inundados pela água. A preocupação é que se água não abaixar os moradores não terão onde comprar mantimentos.
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O Globo
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