Moradores de Teresópolis temem deixar as casas por causa de possíveis saques

Mesmo em situação de risco, as pessoas não querem abandonar suas moradias

O cenário de destruição e tristeza marca as cidades de Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis, na região serrana do Rio. Mais de cem corpos lotam o IML (Instituto Médico Legal) de Teresópolis na noite desta quarta-feira (12). No bairro de Campo Grande, a situação é de calamidade total. Sem se identificar, um policial que participa do resgate no lugar diz que muitos moradores temem deixar as casas, mesmo em situação de risco, por causa de possíveis saques.

- Acabei de chegar de um resgate no bairro de Campo Grande. Muitos corpos estão embaixo dos escombros e os bairros estão sem luz, sem água e, o pior de tudo, é que muitos moradores que residem na parte de baixo do bairro não querem deixar suas casas com medo de saques, mesmo diante da situação de perigo.
Chuvas castigam região serrana
O Rio de Janeiro viveu nesta quarta-feira (12) um dos dias mais trágicos de sua história. As chuvas intensas que castigaram a região serrana do Estado deixaram mais de 270 pessoas mortas, segundo informações da secretaria de Saúde e Defesa Civil. O número de mortos em Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo supera o das chuvas que castigaram o Rio em abril de 2010 e mataram mais de 250 pessoas. O Governo Federal anuncio que vai liberar mais de R$ 780 milhões para os municípios afetados no Estado do Rio e de São Paulo.
Com mais de 130 mortes, Teresópolis enfrenta sua maior tragédia. Segundo o coronel Flávio Castro, da Defesa Civil, o número de desabrigados passa de 900 e já são mais de 1.200 desalojados no município.
- Esse é o maior desastre de toda a história de Teresópolis. O número de vítimas pode aumentar. Nossa maior dificuldade é a questão do acesso. Ao todo, são mil homens trabalhando.
Em Nova Friburgo, o número de mortos também já passa de cem, entre as vítimas estão três bombeiros. Em Petrópolis, as 34 mortes ocorreram nas localidades Ponte Vermelha, Gentil, Madame Machado e Brejal, de com o último boletim divulgado pela Secretaria de Saúde e Defesa Civil do Estado. As autoridades acreditam que o número de mortes na cidade pode passar dos 40.
A presidente Dilma Rousseff assinou nesta quarta-feira (12) a medida provisória que libera R$ 780 milhões em créditos extraordinários para os municípios afetados pelas fortes chuvas que atingiram o Rio de Janeiro, São Paulo e outras localidades.
Problemas antigos
A população das localidades de Benfica e Vale do Cuiabá, em Itaipava, distrito de Petrópolis, na região serrana do Rio, está acostumada a sofrer com a força das chuvas. Quem mora próximo ao rio Santo Antônio sente mais os efeitos das cheias. No entanto, os relatos dos sobreviventes dizem que nunca a água chegou ao nível que alcançou desta vez.
Nério da Costa Mesquita, de 83 anos, alugava uma casa em Benfica e perdeu tudo. Só lhe restou a roupa do corpo.
- Começamos a levantar as coisas, mas não imaginamos que a água ia subir tanto. Foi muita água. Agora tenho de esperar, sem água [para beber], sem mantimento, sem nada.
O proprietário da casa de Mesquita, Nilson Moreira de Macedo, que mora no mesmo terreno, também mantinha uma oficina na área. Ele perdeu o local onde morava e todos os objetos de trabalho.
- Não afetou só minha casa, mas o local de trabalho. Moro aqui há 35 anos. Nunca vi nada assim.
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R7

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