O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, anunciou nesta segunda-feira que o estado vai comprar dois radares meteorológicos semelhantes ao que a prefeitura do Rio instalou, no fim de dezembro, no Sumaré. O radar da prefeitura, que custou R$ 2,5 milhões, com o chamado efeito Doppler, mede a distância, a intensidade e o avanço das tempestades, podendo alertar sobre enxurradas como a da semana passada.
De acordo com Minc, um ficará mais ao norte do estado e o outro, mais ao sul. As informações, segundo ele, serão complementares às do radar carioca, cobrindo totalmente a área do estado.- Vamos alegar uma emergência, e os radares serão (comprados) com dinheiro do Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam). Vamos fazer algo compatível com o sistema já adotado pela prefeitura. Teremos cobertura total - disse Minc.
Além disso, o secretário planeja concluir, ainda em 2011, a atualização do mapa de risco da Região Serrana, com informações que vão orientar o estado no programa de treinamento das defesas civis das prefeituras sobre como agir diante de situações de emergência.
- As equipes municipais serão treinadas, junto com a Defesa Civil estadual, a partir das informações de um mapa de risco moderno e com as informações dos novos radares. Assim, vamos organizar planos de contingência, o que significa fazer exercícios com a população, para todos saberem quais os procedimentos, para onde ir - disse Minc, lembrando que, em Areal, um simples carro de som evitou mortes.
Inea enviou alarme de cheia a Friburgo; faltou agilidade
Ao ressaltar a necessidade de orientar as defesas civis e a população, Minc lembrou que o sistema de alerta de cheias do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) em Friburgo gerou um alarme para a cidade, que não teve agilidade para fazer as remoções.
Responsável por esse sistema de alertas do Inea, o engenheiro hidrológico Luiz Paulo Viana afirma que, além de Friburgo, a Baixada Fluminense e a Bacia do Rio Macaé contam com alarmes de cheias. Segundo ele, o plano é ampliar esses sistemas, até o fim de fevereiro, para Teresópolis, Petrópolis e áreas próximas a Friburgo. Depois, a ideia é levá-los a municípios como Itaperuna e Italva, até cobrir todo o estado.
Onde já funciona, o sistema envia alertas aos comandantes das defesas civis por SMS. Segundo ele, em Friburgo os alertas começaram a ser enviados na tarde de terça-feira; no fim da noite e no início da madrugada, o nível já era de alerta máximo, baseado em índices pluviométricos e fluviométricos dos rios:
- Mas foi uma situação completamente atípica, de chuva muito concentrada e forte. É uma chuva que registramos a cada 400 anos. Das nossas estações, a que registramos maior volume foi a de Mury, de 298mm de chuva. Em média, na região, registramos 260mm.
Especialista estima custo de até R$ 30 milhões
Engenheiro geotécnico especialista na montagem de sistemas de alertas, Alberto Ortigão afirma que, para um estado das dimensões do Rio, seriam necessários de R$ 20 milhões a R$ 30 milhões para criar um sistema de monitoramento e de alerta de alagamentos e deslizamentos de terra.
- Uma ponte custa mais do que isso. Esse valor inclui todo o equipamento de meteorologia - diz o especialista, que participou da implantação de três sistemas do tipo, o da cidade do Rio, o Alerta Rio, em 1996, um em Hong Kong e outro na Malásia.
Segundo ele, esses sistemas, uma vez instalados, podem fazer previsões com até sete dias de antecedência, ou de três a quatro horas antes, em caso de chuvas atípicas como as da Região Serrana. No Rio, ele calcula que aproximadamente 200 estações meteorológicas e fluviométricas, com informações transmitidas de forma automatizada, seriam suficientes. Também seriam necessários pelo menos três radares meteorológicos Doppler.
Ortigão ressalta, no entanto, que de nada adiantaria a emissão dos alarmes se a população não fosse avisada de forma rápida e eficiente. Por isso, ele defende que os planos de contingenciamento sejam acompanhados de ações educativas para treinar as pessoas a estarem em alerta. Enquanto isso, diz ele, as defesas civis municipais e os meios de comunicação locais deveriam ser integrados num plano de divulgação dos alertas.
Para o engenheiro agrônomo Rolf Dieringer, que estudou por 30 anos as chuvas em Petrópolis, sistemas de alerta ainda mais baratos podem ser criados. Ele desenvolveu um modelo baseado em duas informações, precipitação e encharcamento do solo, e instalou alarmes em algumas encostas da cidade:
- Com R$ 5 mil a R$ 10 mil por mês é possível manter esquemas eficientes de alarme. Fizemos pluviômetros de garrafas PET.
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O Globo
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