Para governador, serão necessários "muitos recursos" para reconstruir Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, responsabilizou a omissão das prefeituras e a força da natureza pela tragédia que causou 351 mortes em decorrência das fortes chuvas que atingiram Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis, na região serrana do Estado desde a tarde de terça-feira (11). Embora tenha elogiado a atuação dos prefeitos das três cidades, Cabral ressaltou que a Constituição de 1988 determina que ocupação do solo é atribuição dos municípios e citou o crescimento populacional na região serrana nos últimos 30 anos.
- Não quero culpar os prefeitos, o de Nova Friburgo está no poder há apenas cinco meses, os de Petrópolis e Teresópolis estão há dois anos, nem culpar os anteriores. Mas há permissividade na ocupação das encostas. Caso nos tivéssemos um padrão rígido de ocupação, teríamos vítimas? Teríamos.Mas não podemos chegar a quase 500 mortos.
Para o governador, houve “cumplicidade e fechar de olhos” para a ocupação irregular nas encostas “até mesmo por condomínios de luxo em áreas que deveriam ser de preservação ambiental”.
- Houve danosamente uma ocupação nos últimos 25 anos, de maneira absolutamente irresponsável. Nós, do governo do Estado, estamos protagonizando o apoio à população, mas é evidente que desde 1988 a Constituição Brasileira diz que solo urbano é responsabilidade da municipalidade. Não pode só autorizar e proibir a construção do shopping center, do prédio formal. Tem sempre um político demagogo para fazer uma graça, dizer que é falta de respeito com o pobre, mas a gente tem que tomar uma decisão firme", afirmou, sem apontar nominalmente culpados.
Cabral citou as mudanças climáticas e a geografia montanhosa da região e ressaltou que em Nova Friburgo "choveu mais do que no morro do Bumba, no ano passado".
- Os cientistas têm chamado a atenção para as mudanças no planeta no que se refere ao meio ambiente. Por outro lado, é uma região montanhosa. É a crônica de uma tragédia anunciada, as pessoas sabem a força da natureza. Não sou especialista, mas a olhos nus você vê que há um aquecimento global, um problema sério no planeta a ser enfrentado.
Segundo Cabral, serão necessários “muitos recursos” para a reconstrução das três cidades, especialmente Nova Friburgo, que teve sua infraestrutura totalmente destruída, enquanto no caso de Petrópolis e Teresópolis, a destruição atingiu alguns distritos e não toda a cidade.
- Quase toda a cidade de Nova Friburgo foi destruída, uma cidade linda, com belezas históricas e grande parque hoteleiro. As três cidades são turísticas, o turismo é um item muito importante na geração de empregos. Será preciso um enorme trabalho de solidariedade e reconstrução.
O governador deu uma entrevista por telefone na manhã desta quinta-feira (13) para a rádio CBN.
Chuvas castigam região serrana
A chuva que começou na tarde de terça-feira já deixou mais de 300 mortos e milhares de desabrigados em Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis, na região serrana do Rio. Muitas pessoas ainda estão desaparecidas e muitos bairros, completamente soterrados.
A presidente Dilma Rousseff assinou nesta quarta-feira (12) a medida provisória que libera R$ 780 milhões em créditos extraordinários para os municípios afetados pelas fortes chuvas que atingiram o Rio de Janeiro, São Paulo e outras localidades.
Problemas antigos
A população das localidades de Benfica e Vale do Cuiabá, em Itaipava, distrito de Petrópolis, na região serrana do Rio, está acostumada a sofrer com a força das chuvas. Quem mora próximo ao rio Santo Antônio sente mais os efeitos das cheias. No entanto, os relatos dos sobreviventes dizem que nunca a água chegou ao nível que alcançou desta vez.
Nério da Costa Mesquita, de 83 anos, alugava uma casa em Benfica e perdeu tudo. Só lhe restou a roupa do corpo.
- Começamos a levantar as coisas, mas não imaginamos que a água ia subir tanto. Foi muita água. Agora tenho de esperar, sem água [para beber], sem mantimento, sem nada.
O proprietário da casa de Mesquita, Nilson Moreira de Macedo, que mora no mesmo terreno, também mantinha uma oficina na área. Ele perdeu o local onde morava e todos os objetos de trabalho.
- Não afetou só minha casa, mas o local de trabalho. Moro aqui há 35 anos. Nunca vi nada assim.
Clique aqui e saiba como e onde fazer doações
O Hemorio (Instituto Estadual de Hematologia do Rio de Janeiro) informou que precisa de cerca de 300 bolsas de sangue para enviar para a região serrana, principalmente Teresópolis e Nova Friburgo. Segundo a assessoria do instituto, as cidades atingidas pelas chuvas têm grande número de vítimas que necessitam de transfusão de sangue.
O Hemorio pede para que a população compareça ao hemocentro ou a dos 26 postos de coleta de sangue no Estado. Segundo o instituto, janeiro é um mês em que, tradicionalmente, o número de doadores cai. Para doar sangue é preciso ter entre 18 e 65 anos, pesar mais de 50 quilos, estar bem de saúde e trazer um documento oficial de identidade com foto. Entre a triagem e a doação, todo o processo leva cerca de uma hora.
O Hemorio fica na rua Frei Caneca, 8, no centro. O horário de funcionamento é das 7h às 18h, todos os dias, inclusive aos sábados, domingos e feriados. Para mais informações, o hemocentro oferece o 0800-282 0708 para tirar dúvidas e agendar horário para a doação.
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R7
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