Um dos objetivos é a capacitação dos profissionais das redes de atendimentos
Reunindo representantes de vários municípios da Região Serrana, começou em Teresópolis na última segunda, 6, e prossegue até esta quarta, 8, o curso de qualificação para o enfrentamento ao tráfico de mulheres para a rede de atendimento do Estado do Rio de Janeiro.
O objetivo é qualificar profissionais das instituições que formam a rede de atendimento a mulher, como prefeituras, conselhos e órgãos ligados ao Judiciário e à Segurança Pública. As noções oferecidas visam permitir que os participantes possam auxiliar na identificação, bem como atuar na prevenção a este tipo de crime.
A realização é do Projeto Trama, em convênio com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, e acontece em Teresópolis por ser o único município da região a contar com uma secretaria específica para a formulação de políticas públicas dire-cionadas ao atendimento à mulher. Realizado na sede da Secretaria dos Direitos da Mulher, na Várzea, participam do curso representantes de Teresó-polis, Petrópolis, Nova Friburgo, Bom Jardim, Cantagalo, Carmo e Santa Maria Madalena.
“São três dias de formação, com atividades para esclarecer essa temática tão importante, que é o tráfico de mulheres. Precisamos estar qualificadas para trabalhar de forma a evitar que as mulheres sejam iludidas e venham a ser traficadas”, destacou a Secretária dos Direitos da Mulher, Norma Suely Gomes dos Santos.
“Abordamos o tráfico de pessoas em geral, direcionando as informações especificamente ao tráfico de mulheres. Toda a rede precisa ser qualificada para proteger as mulheres que estejam em situação de tráfico”, explicou a coordenadora do Projeto Trama, Marcelle Marques Moraes.
Para a assistente social Leda Bione, do Centro de Referência de Atendimento à Mulher de Teresópolis, esta é uma oportunidade única para aperfeiçoar o atendimento prestado ao público feminino. “Estamos tendo acesso a muitas informações esclarecedoras sobre o tema. O curso é ótimo para adquirir conhecimento e orientar as pessoas, esclarecendo e conscientizando também sobre o trabalho escravo, que é outro tipo de tráfico”.
A psicóloga Marcella Rayol, do Centro de Referência de Atendimento à Mulher de Petrópolis, também aprova a iniciativa. “É importante participar do curso, pois trata de uma temática com a qual não estamos muito habituadas, mas que é importante conhecer, até para identificar na nossa rotina de trabalho e combater”.
A assistente social Tereza Cristina Daflon, da Prefeitura de Santa Maria Madalena, diz que o tráfico de pessoas é um tema abrangente que merece toda a atenção para o seu enfrentamento. “É algo que achamos que está longe do nosso cotidiano e não está. Até no município de Santa Maria Madalena, que é pequeno e tem apenas 10 mil habitantes, já tivemos problema de tráfico de pessoas, relacionado ao trabalho escravo. Esse curso é excelente, pois nos dá uma gama maior de informação”.
Tráfico de pessoas
Em âmbito global, o comércio de pessoas já é apontado como a segunda maior economia paralela. Com base no Relatório Global de Tráfico de Pessoas do Escritório da ONU sobre Drogas e Crime (UNODC), a maior demanda de pessoas traficadas é para a exploração sexual (79%), seguida pelo trabalho forçado (18%).
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), pelo menos 12,3 milhões de adultos e crianças são explorados em trabalhos forçados e no sexo em todo mundo– 56% são mulheres e garotas. Muitos deixam seus países e acabam tornando-se vítimas do tráfico humano no exterior. Na maioria das vezes, são convencidos pela promessa de uma vida melhor por meio de emprego, oportunidades de estudo e casamento.
Nos últimos 20 anos, o Brasil inaugurou 826 inquéritos policiais em todo o país para investigar denúncias de tráfico de pessoas, conforme dados do Ministério da Justiça. No período entre 1990 e 2010, o Estado de Goiás foi o recordista em inquéritos para investigar a prática criminosa, com 150, seguido por São Paulo (107), Minas Gerais (76), Rio de Janeiro (75) e Bahia (45). Entre 2002 e 2008, segundo dados do UNODC, houve 211 processos e condenações relacionados à prática.
Trama
O Projeto Trama teve início em abril de 2004 com o objetivo de desenvolver ações de enfrentamento ao tráfico de pessoas para fins de exploração sexual. Esta iniciativa ocorreu mediante a formação de um consórcio de quatro entidades não-governamentais: a Organização de Direitos Humanos Projeto Legal, o IBISS (Instituto Brasileiro de Inovações em Saúde Social); a organização de mulheres afro-brasileiras CRIOLA e a Universidade do Grande Rio – UNIGRANRIO, todas sediadas no estado do Rio de Janeiro e com reconhecida atuação e experiência na defesa, garantia e promoção de direitos humanos.
...
Diário de Teresópolis
Nenhum comentário:
Postar um comentário
O GenteAtual é sua revista eletrônica na web, com um clipping das notícias mais importantes do inteior do RJ.